Pelo menos 83 pessoas morreram durante o primeiro dia de cessar-fogo, como apontou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH)
(Ho/AFP)
A trégua anunciada pelo regime de Bashar Assad e por algumas das forças rebeldes para o período das celebrações do Eid al-Adha, a festa muçulmana do sacrifício, fracassou já no primeiro dia. Nesta sexta-feira, pelo menos 83 pessoas morreram nos conflitos da Síria, segundo a ONG opositora Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
Entenda o caso
• Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
• Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
• A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.
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A trégua foi intermediada pelo enviado das Nações Unidas e da Liga Árabe à região,Lakhdar Brahimi. Mas, ao concordarem com o período de cessar-fogo, as duas partes fizeram ressalvas, alertando que combateriam caso fossem atacadas. A trégua deveria valer até segunda-feira.
Os combates se concentram nos arredores da base militar de Wadi Deif, perto de Maaret al-Nooman, no noroeste do país, onde 10 soldados e quatro rebeldes morreram em um ataque realizado por combatentes da Frente al-Nusra. O grupo jihadista rebelde que reivindicou a maioria dos atentados nos últimos meses havia rejeitado a ideia de um cessar-fogo.
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O Exército respondeu bombardeando a aldeia vizinha de Deir Charqui. Combates também foram relatados em Homs (onde duas pessoas morreram) e Aleppo (onde três foram mortos), redutos rebeldes que as forças de Assad vêm tentando controlar nos últimos meses.
Em Damasco, um atentado com carro-bomba em frente a uma mesquita deixou pelo menos oito mortos e 30 feridos no bairro sunita de Daf Chawk, ao sul da capital – não foram divulgadas informações sobre os autores do ataque.
Histórico - No dia 12 de abril, um cessar-fogo proposto por Kofi Annan, antecessor de Brahimi na função de mediador internacional, havia sido aceito pelas duas partes em conflito. Mas o acordo durou apenas algumas horas.
(Com Agência France-Presse)