Advogado diz que transferência vai impedir contato das presas com os filhos
Juiz russo declarou três integrantes da banda punk Pussy Riot culpadas por vandalismo motivado por ódio religioso(Maxim Shipenkov/EFE)
Duas integrantes da banda Pussy Riot condenadas por protestar contra o presidente Vladimir Putin, foram transferidas para prisões fora de Moscou. Na última semana, elas tiveram negada uma apelação para continuar em um centro penitenciário na capital. De acordo com a legislação russa, somente detentos com sentenças abaixo de seis meses podem permanecer em centros penitenciários como o de Moscou.
Um dos advogados encarregado do caso, Mark Feigin, disse não saber para onde Nadezhda Tolokonnikova, de 22 anos, e Maria Alejina, de 24 anos, foram transferidas, apenas disse que "elas foram mandadas para longe". Por lei, os parentes devem ser informados quando um condenado chega a uma prisão, mas a viagem pode demorar dias.
Ricardo Setti: Garotas do conjunto Pussy Riot na Rússia são condenadas por ofensas à mesma Igreja que canonizou o czar
Feigin alegou que a transferência vai impedir o contato das presas com seus familiares – as duas têm filhos pequenos – e também disse estar preocupado com as condições sanitárias e de segurança nas prisões mais distantes da capital.
Antigos colaboradores de um grupo de arte de rua disseram no Twitter que Nadezhda havia sido enviada para Mordvia, cerca de 500 quilômetros ao leste de Moscou, e Maria para a região de Perm, perto dos Montes Urais, cerca de 1.100 quilômetros ao leste da capital – informações que não foram confirmadas.
A Justiça da Rússia liberou uma das três integrantes da banda punk Pussy Riot, Yekaterina Samutsevich
Histórico – No dia 21 de fevereiro, cinco integrantes do Pussy Riot, todas encapuzadas, invadiram uma área restrita do principal templo ortodoxo russo e começaram a fazer o que chamaram de "oração punk" contra o presidente Vladimir Putin. Duas delas conseguiram fugir sem ser identificadas.
As três mulheres capturadas pela polícia foram condenadas por "vandalismo motivado por ódio religioso" em agosto passado e sentenciadas a dois anos de prisão cada uma, pena que foi considerada muito dura por diversos setores da sociedade russa e da comunidade internacional.
Uma terceira integrante também foi condenada, Yekaterina Samutsevich, foi liberada depois de recorrer da pena. Seu advogado argumentou que ela havia sido retirada do altar da catedral antes do início da canção de protesto e que, portanto, não pôde participar do ato.
(Com Agência Reuters)