Manifestantes pedem constituição que não represente só os muçulmanos
Manifestantes protestam contra governo islâmico no Egito (Amel Pain/EFE)
Milhares de pessoas protestaram de forma pacífica nesta sexta-feira na praça Tahrir, no Cairo, contra o domínio islâmico na política do Egito e rechaçaram os choques ocorridos na semana passada entre partidários e opositores do presidente Mohammed Mursi, membro daIrmandade Muçulmana. Entre a multidão era possível ver cartazes com dizeres como "Não à constituição só para islamitas", enquanto soavam canções revolucionárias.
Membro do Partido Socialista egípcio, Yasser Toher manifestou sua rejeição ao rascunho da próxima Constituição, e pediu que seja redigida uma nova legislação "que represente todo o país, não só os muçulmanos" e que garanta a liberdade de religião, expressão e greve, entre outros direitos.
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A Assembleia Constituinte egípcia anunciou na terça-feira que o plebiscito sobre a nova Carta Magna será realizado na segunda semana de novembro, em uma nova etapa da transição política do país. O plebiscito será realizado após a votação do rascunho constitucional, que já foi finalizado. A redação da Constituição é um assunto rodeado de polêmicas no Egito, já que as forças liberais se retiraram da assembleia por considerar que os muçulmanos monopolizam a elaboração do documento.
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Em 10 de outubro foi apresentada a minuta da nova Carta Magna, que a Assembleia Constituinte demorou seis meses para redigir. O texto estipula que o Egito adotará um sistema semipresidencialista, similar ao francês, e estabelece a descentralização territorial do país. Também está mantido o artigo que estabelece que "os princípios da lei islâmica são a fonte principal da legislação", tal como afirmava a Constituição anterior, de 1971.
Na sexta-feira passada, foi convocada uma manifestação na praça Tahrir para exigir, entre outras reivindicações, que a Carta Magna represente toda a sociedade egípcia. O ato terminou em graves distúrbios, uma vez que a Irmandade Muçulmana organizou outro protesto, também na praça, no mesmo dia. Como resultado, choques foram entre as duas partes presentes no local, que deixaram pelo menos 110 pessoas feridas. O grupo islâmico condenou posteriormente os fatos e disse que arruaceiros se infiltraram entre os manifestantes.
"Condenamos o que houve na semana passada por culpa da Irmandade Muçulmana, que deve se desculpar", disse Zeinab Al-Masri, uma jovem presente no ato de hoje, em referência aos confrontos realizados na mesma praça que abrigou as manifestações que culminaram na deposição do ditador egípcio Hosni Mubarak, no ano passado. "A Irmandade Muçulmana não entende que exista uma oposição política no Egito", acrescentou Zeinab.
(Com Agência EFE)