segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Estados Unidos Após eleições, Paul Ryan deve ter papel central em discussão fiscal


Com imagem em alta, o ex-candidato a vice de Romney é visto como porta-voz dos conservadores. Seu desafio é pensar em solução bipartidária para a crise


O congressista Paul Ryan tem 42 anos (Saul Loeb/AFP)

Com a derrota republicana nas eleições presidenciais dos EUA, o ex-candidato a vice de Mitt Romney e jovem congressista de Wisconsin Paul Ryan volta aos poucos à sua rotina pré-campanha.

Depois de toda a tentativa dos republicanos de mostrá-lo como o maior inimigo dos gastos públicos e a melhor aposta para o país, Ryan agora está no centro de uma das maiores negociações fiscais dos últimos tempos. John Boehner, presidente da Câmara dos Representantes, aproveitou a volta de Ryan para solicitar sua ajuda em um diálogo que evite o aumento dos impostos e incentive o corte de gastos até o final do ano, além de recrutar outros republicanos para a tarefa.

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"Ele nos ajudará a criar um produto e depois vendê-lo", explicou o senador Rob Portman, de Ohio, em entrevista ao jornal The New York Times. "Espero que Ryan esteja à frente e no centro desse debate", afirmou o deputado conservador Jim Jordan, do mesmo estado-chave americano. "Ele é provavelmente o nosso melhor porta-voz diante da gravidade da situação."

O desafio de Ryan será deixar suas posições ultraconservadoras um pouco de lado e pensar em um acordo bipartidário, que agrade também os democratas. Mesmo entre os membros mais liberais do Partido Republicano, o congressista provoca certa exasperação, o que também deve ser driblado.

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Durante a campanha para a Vice-presidência, Ryan optou pelo silêncio quando o assunto era cortes em projetos assistencialistas, especialmente o Medicare - um programa de saúde bancado com dinheiro público desde 1965. Mas não há dúvidas sobre seu desgosto pelas teorias fiscais de Obama. Durante a convenção republicana, Ryan chegou a criticar abertamente a visão econômica do presidente. "Agora, Ryan tem que pensar sobre o que quer que seja seu papel: se vai concorrer nas presidenciais de 2016 ou nas eleições regionais de Wisconsin, ou desempenhar um papel maior na Câmara", pondera o congressista de Oklahoma Tom Cole.

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Perfil - Ryan nasceu e cresceu em Janesville, Wisconsin, onde ainda mora com a mulher e os três filhos. Depois de trabalhar em 1996 para o candidato republicano à vice-presidência Jack Kemp, Ryan foi eleito para o Congresso pela primeira vez em 1998, aos 28 anos. Em 2004, ganhou fama pelos esforços para privatizar o programa de aposentadorias do governo. É considerado uma estrela ascendente no Partido Republicano.

Ryan ganhou notoriedade na Câmara de Representantes com um plano orçamentário para cortar gastos e estimulou um debate sobre o caminho da economia do país. "Estamos oferecendo ao país um caminho melhor para avançar", afirmou Ryan em março, pouco antes de a Câmara ter aprovado o orçamento, com 228 votos a favor, todos de republicanos, e 191 contrários. Apesar de o orçamento, que prevê cortes de cinco trilhões de dólares na próxima década, não ter qualquer chance de aprovação no Senado, de maioria democrata, trata-se de um documento que estabelece as principais diretrizes republicanas sobre gastos e dívidas.